Poesia 1997/2000

Reúne poemas escritos pelo autor entre 1997 e 2000.

“A poética de Graça Moura […] é de todo alheia a esse género de dispositivo modernista em que o eu se descobre sucessivamente um outro. Na verdade não é o sujeito que nela se transfere, em peregrinação por tempos históricos e enquadramentos esteticistas, para descrever o mundo: é o mundo de que estamos cercados que se revela todo ele feito de descrições, fragmentos de narrativas sobrepostas, onde só a literatura pode descortinar ou refazer um sentido. A par do sujeito, são também as coisas que se desdobram e dobram, se diferem e inferem, se explicam e implicam. Como diriam os gregos tudo conspira.
O aparecimento de múltiplas personagens que mutuamente se representam e explicam tem, pois, lugar no interior de um espaço muito mais vasto, onde a analogia assume o papel de autêntico eixo em torno do qual circulam a natureza, a história e toda a experiência literária. […] É neste plano que a intertextualidade adquire um significado que vai muito para além habitualmente os comentadores reparam.”
Diogo Pires Aurélio, 1997

Poesia 2001/2005

Reúne poemas escritos pelo autor entre 2001 e 2005.

“E o qualificativo tentacular não é despiciendo, porque há qualquer coisa de ameaçador e de dificilmente cernível na obra de Graça Moura – ameaça que atinge o leitor e autor, num nó “cego” em que um e outro se enredam, obrigando-os a um eterno “regresso” à leitura e à criação, como se o mundo, a realidade estivessem aí. E não estará aí a sua inteligibilidade?
Há da parte do nosso autor uma tendência omnívora relativamente à cultura ocidental e muito especialmente à cultura clássica […] e que o leva, num gesto bem pós-moderno, a fazer seus, numa atitude mais ou menos paródica, mais ou menos lúdica ou mais ou menos reverenciadora, um sem-número de textos dos outros, uns mais, outros menos canónicos.”
Isabel Pires de Lima, 1998

Poesia reunida

No ano em que se comemoram os 50 anos de vida literária de Vasco Graça Moura, a Quetzal publica a totalidade da sua poesia em dois volumes de Poesia Reunida. Vasco Graça Moura dispensa apresentações. Considerados por muitos como o maior poeta português vivo, Vasco Graça Moura é autor de uma vastíssima obra poética, ensaística e ficcional e um nobilíssimo tradutor e divulgador das literaturas clássicas. 

Poesias castelhanas de Camões

Luís de Camões escreveu algumas poesias em língua castelhana. É o conjunto destas composições poéticas, traduzidas por Vasco Graça Moura, que se disponibiliza aos leitores em edição autónoma.

Por detrás da magnólia

Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores 2004.
A acção do livro decorre em Gouvães, aldeia do Alto Douro (de onde é oriunda a família materna do autor) que VGM conhece desde que nasceu e onde passava as férias grandes durante a infância e a adolescência. Fresco histórico, de influência camiliana, em que a história da Casa dos Lemos – com os seus segredos, os seus amores proibidos, e os seus dramas – conta a história do nosso país e das mentalidades. 

Quatro sextinas

Excerto de quatro sextinas

[…]
da esperança que trazia acesa
em seu olhar de consumir-se tanto
no silêncio convulso demorada
a alba escoa-se frágil a tranquila
humildade retira-se dos vidros
onde regressa convertida em chuva

tanto convém que se mantenha acesa
demorada nos vidros esta chuva
que hoje não sei se branda ou intranquila

Quatro últimas canções

Em Quatro Últimas Canções há histórias de amor e de música que se entrelaçam e desenvolvem em contraponto. Nesse contraponto, o jogo de espelhos entre um espaço real e um espaço virtual, as casas de Mateus e de Constantim, respectivamente, abre um quadro cénico que torna possível reenvios, perspectiva e efeitos romanescos de vária ordem. Neste seu romance, cuja primeira edição é de 1987, Vasco Graça Moura mostra a importância da lição dos nossos grandes romancistas do século xix para a ficção de finais do século xx. 

Rainer Maria Rilke, Carrossel e Outros Poemas

“Ocorreu-me recentemente que seria interessante indagar como é que os animais existem na poesia de Rainer Maria Rilke. A ideia veio-me da leitura de alguns passos dos Cadernos de Malte Laurids Brigge e das Cartas a um Jovem Poeta. Nesses textos, e porque, diz Rilke, “há entre as coisas e os animais um numeroso acontecer”, aponta-se por um lado a uma profunda concordância dos ciclos e ritmos da visa e, por outro, à importância de certas formas de vida para a eclosão de uma poética.
Rilke lembra a Kappus: “toda a beleza nos animais e nas plantas é uma forma silenciosa e permanente de amor e desejo e pode ver o animal como vê as plantas, unindo-se e multiplicando-se e crescendo pacientemente, doculmente, não do prazer físico, não do sofrimento físico, curvando-se às necessidades que são maiores do que o prazer e mais fortes do que a vontade e a resistência”. Malte Laurids Brigge escreve que “por causa de um verso, tem de se ver muitas cidades, pessoas e coisas, tem de se conhecer os animais, tem de se sentir como os pássaros voam e de saber os gestos com que as pequenas flores se abrem pela manhã”.
A minha ideia de organizar e traduzir um bestiário rilkiano tem a sua origem nestas passagens.
O conjunto tem certa variedade e heterogeneidade. […] Mas em todos funciona um certo tipo de inquietação lírica, como se, através do palpitar entrevisto nas criaturas animadas que são objecto do poema, se nos pudesse desvendar mais alguma coisa, mesmo que esse alguma coisa não seja mais, passe o paradozo, do que a própria indecifrabilidade. Rilke procurava, a partir dos Novos poemas, um novo tipo de objectividade despersonalizada, como se os seres e as coisas fossem expressos a partir do seu (deles) próprio âmago.”
Vasco Graça Moura

Recitativos

Excerto de recitativos

VI
deixo este recado para karl:
todo o rigor da ruptura
cria os possíveis
da fala

mas por detrás das palavras
há uma prática crepuscular:

o modo de produção da noite
é literário

O Caderno da Casa das Nuvens

Após uma pequeníssima edição de autor, para distribuição aos amigos, este conjunto de poemas inéditos chega agora ao grande público leitor.