Com todas as reservas que se Ihe possam pôr, Benn é um grande poeta, dos maiores, com Trakl, do Expressionismo, e um dos maiores do século. O seu visionarismo desesperado, o seu realismo agressivo e sarcástico, a sua concepção da poesia como única redencão (e momentânea) possível, exprimem-se em versos magnificentes que são, a muitos títulos, um retrato das contradições germânicas.
Tipologia Obra: Livros
50 Sonetos de Shakespeare
“É provável que o principal pilar do cânone da literatura ocidental seja a obra de William Shakespeare, poeta e dramaturgo inglês nascido em 1564, em Stratford-upon-Avon, cidade onde terá morrido em 1616. Além da sua obra dramática e de alguns poemas dispersos, os seus Sonetos constituem um monumento de composição e beleza, um atlas sobre a representação do amor, da passagem do tempo e da sua finitude, da paixão erótica, do desejo ou da solidão.
A meticulosa tradução de Vasco Graça Moura transporta para a nossa língua todo o génio do poeta inglês; é Shakesperare que escreve e ecoa na nossa língua, ora com exuberância e ironia, ora com melancolia, ora com a notável visão de um génio que sobrevive ao tempo e à morte. Só um tão notável poeta poderia traduzir Shakespeare desta forma.”
366 poemas que falam de amor
A reunião de 366 poemas – um para cada dia – sobre o amor. Grandes poetas escolhidos por um grande poeta.
Nada há de tão natural no mundo da poesia como o tema do amor. Vasco Graça Moura reúne neste livro 366 poemas que falam de amor – que sofrem e exultam, desencorajam e comovem, entristecem e rejubilam, que falam da alegria e da surpresa do amor. E também da sua melancolia, dos seus nomes raros, da evidência, da sua inevitabilidade. Com esta escolha percorre-se também uma vasta tradição da poesia de todos os tempos, uma arte que nunca poderemos esquecer – e o deslumbramento diante do amor, justamente.
Os mais belos de amor escritos pelos maiores portas universais: A.M. Couto Viana, Al Berto, Alexandre O’Neill, Almeida Garrett, António Osório, António Ramos Rosa, Camilo Pessanha, Carlos de Oliveira, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Cesário Verde, David Mourão-Ferreira, Eugénio de Andrade, Fernando Assis Pacheco, Fernando Pessoa, Gastão Cruz, Jorge de Sena, Louís Aragon, Luís de Camões, Luísa Neto Jorge, Manuel Alegre, Manuel António Pina, Manuel Bandeira, Maria Teresa Horta, Mário Cesariny, Nuno Júdice, Pedro Homem de Mello, Pedro Mexia, Pedro Tamen, Petrarca, Philip Larkin, Rui Knopfli, Ruy Belo, Sá de Miranda, Seamus Heany, Sophia de Mello Breynes Andresen, Teixeira de Pascoaes, Vinicius de Morais, Vitorino Nemésio, W. H. Auden, William Shakespear e muitos outros.
A Divina Comédia de Dante Alghieri
Longo poema épico e teológico, A Divina Comédia divide-se em três partes: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Não há uma datação exacta da obra, mas presume-se que tenha sido escrita entre 1304 e 1321, ano da morte de Dante.
A Divina Comédia foi escrita em língua toscana – muito próxima do que hoje se designa por italiano – num registo vulgar, portanto, por oposição ao uso generalizado do latim na escrita erudita. Assim se tornou a obra fundadora da língua italiana moderna.
Em Portugal A Divina Comédia chegou a um universo de leitores alargado através da inexcedível tradução de Vasco Graça Moura. Com mais de seis edições desde a sua primeira publicação, A Divina Comédia conheceu em Portugal um sucesso e uma popularidade extraordinários.
Obra integral.
A Formosa Ulisseia, antologia de verso e prosa sobre Lisboa
A Furiosa Paixão pelo Tangível
um cão para pompeia
aos amantes enlaçados contraponho
um cão de pompeia, decerto ele andaria
a brincar junto ao forum, à cata de algum osso,
quando o vesúvio o caçou, mais lesto,
para moldá-lo em pedra-pomes.
insisto em vê-lo como um bicho magro e descuidado,
de penúria diuturna. passou de leve
pelos peristilos, alheio ao luxo, à corrupção,
à astrologia, e nunca dos triclínios
lhe caiu um naco envenenado, nunca se tornou
nem animal simbólico, nem mito que ganisse.
nunca foi encontrado nas escavações, mas é para aqui chamado.
era um cão, just a dog, com pulgas e
que alçava a perna como todos os cães
e ladrava e mordia quando era preciso.
fazia pela vida e, fauno das esquinas, pelas cadelas no cio.
alguma tabuleta diria cave canem em tésseras minúsculas,
sem alaridos da história, e só sobreviveu
nos livros de latim expurgados, misturada
com a guerra das gálias e alguns nomes de deuses.
eu canto um cão sem fábula nem pedigree, que não fugiu aos fados,
um rafeiro vulgar, digamos, de plínio
o velho que, a propósito, morreu perto dali,
talvez uivando, uns dias depois dele.
“você é um cerebral”, disse-me cloé, flava e enervada.
“sim”, disse-lhe eu com prudência, “mas há tantos.
e o amor e a morte sempre foram pensáveis”.
e acrescentei “e depois? que mal faz isso ao cão?”
A Identidade Cultural Europeia
A história da Europa não é linear e também não o é a sua identidade possível. Entre contradições e conflitos, dúvidas e colapsos, inquietações e incertezas, realizações e descobertas, uma certa necessidade de transcendente que é sentida pelas sociedades tem evoluído em duas direcções: por um lado, um aumento do laicismo, sobretudo à medida que a ciência e a técnica vão proporcionando um mais completo conhecimento do Universo e do mundo, e portanto diminuindo o papel das explicações que remetiam muitos fenómenos considerados inexplicáveis para o foro do divino, e, por outro lado, na proporção do aumento dos individualismos e dos egoísmos colectivos ou individuais.
A Morte de Ninguém
“É verdade que conheci o Arnold Davis. Já lá vai muito tempo, foi nos primeiros anos de 40, a guerra ainda estava para durar. Eu era ainda muito novo, estava a sair da adolescência, tinha acabado de entrar na faculdade, e em Lisboa vivia-se com alguma perturbação. A atmosfera conhece-a Você dos livros e dos filmes. Cenas de bas-fond e grandes jogadas sub-reptícias nos meios da alta secoeidade, intrigas e traições um pouco por toda a parte, espionagem e refugiados, política, diplomacia, negócios e negociatas, especulação, chantagens, violência, crime e intervenções da polícia em combinações variadas e também, claro, grandes interesses e dramas pessoais por entre essas luzes entrecortadas que hoje temos tendência a ver em termos mais ou menos romântico, mas que eram sobretudo mais ou menos sórdidos. O Arnold era vagamente escritor e vagamente jornalista, ou, pelo menos, apresentava-se como tal. Suponho que, na realidade, era um agente ingçês que procurava mover-se discretamente nas águas turvas da capital (…)”
A puxar ao sentimento
Com este livro de fados inéditos, o génio poético de Vasco Graça Moura é recordado quatro anos após a sua morte. Na obra de Vasco Graça Moura, que escreveu vários ensaios sobre a origem deste género musical, há muitas incursões no fado e, inclusive, um livro que lhe é inteiramente dedicado: Letras do Fado Vulgar. O poeta escreveu alguns fados para as vozes de intérpretes como Mísia, Kátia Guerreiro ou Cristina Branco.
A puxar ao sentimento inclui um bom número de fados inéditos de Vasco Graça Moura, marcados pelo seu génio melancólico e pleno de ironia – são poemas maravilhosos que, só por si, constituem uma homenagem ao fado e uma contribuição literária para abrir (ainda mais) as suas portas.
Quatro anos depois da morte de Vasco Graça Moura, esta é uma forma de continuar a recordar uma das grandes vozes da poesia e da literatura portuguesas do nosso tempo.
A Sombra das Figuras
Excerto do poema pintura de Ilda David:
1.
O homem e o bicho estão
na luz azul e rosa das
suas origens ancestrais, as de uma
aurora harmónica. ainda vêm
da pura oralidade
do gesto divino, da intenção
de as imagens e o tempo
se contraírem a partir da cor
das hortênsias. esse é
o angelismo das figuras,
na passagem das liberdades
do mundo para os números.