Farsa de Natal
Tipologia Obra: Livros
Banksters
Libreto livremente inspirado na peça Jacob e o Anjo, de José Régio, para a ópera do mesmo nome de Nuno Corte-Real, Teatro Nacional de S. Carlos, 2011
Berenice de Jean Racine
Prólogo do tradutor:
(…)
Mais venho declarar que achei de pôr em prática
uma humildade própria a que eu chamo de pragmática,
atenta às intenções do calmo encenador
que busca dosear som, movimento, cor
e a tensão teatral que nas palavras passa,
entre emoções, paixão, azar, pompa e desgraça,
e ouvindo as sugestões que cada actor fazia
nos ensaios de mesa enquanto o texto lia
e alguns passos cortando, até que o resultado
por esta companhia é hoje apresentado:
o que nele for bom, conforme se adivinha,
mérito é dela só; do mau, a culpa é minha.
Caderno de olhares
Textos de Vasco Graça Moura sobre alguns artistas plásticos: Armando Alves, José Rodrigues, Cruz Filipe, João Cutileiro, Siqueira, Emerenciano, Domingos Pinho, José de Guimarães, Noronha da Costa, Júlio Resende, António Cruz e Júlio. Com um retrato do autor por Armando Alves
Camões 1525-1580
“Camões est engagé, avec les plus hauts représentants de son époque, dans un combat pour sa propre réalité, en même temps au-dehors et au-dedans de l’oeuvre, comme dans certaines peintures religieuses de la Renaissance, où la Divinité prenait des traits humains, les hommes prêtant leur visage à Dieu, comme Dürer, ou le tenant dans leurs bras, comme Michel-Ange. Le temps de Camões est, lui aussi, celui où il faut tenir la Réalité dans ses bras, et où il ne suffit plus de contempler le miroir de la Vérité transcendante comme auparavant. On doit, en comme, jouer sa raison contre la promesse de Vie.”
Eduardo Lourenço
Camões e a Divina Proporção
“Escrito ao sabor de ideias e de reflexões muito intermitentes e de disponibilidades de tempo, de espírito e de… bibliografia muito irregulares, este livro foi-se construindo nos últimos meses como uma tentativa de alicerçar de modo plausível uma poética de conjecturas que é, fatalmente, a de qualquer leitura de Camões que procure compreendê-lo. Apresenta-se portanto como um longo ensaio, ou, como eu preferiria chamar-lhe, uma longa inquietação camoniana, procurando a coerência mais num quadro de plausibilidades aventadas do que no rigor demonstrativo, tentando coordenar o enunciado de algumas pistas, palpites e pressentimentos, talvem nem sempre expressados com suficiente clareza, deixando-se levar por eles, e, sobretudo, arriscando onde um trabalho de outra índola não arriscaria.”
Vasco Graça Moura
Cartas a um Jovem Poeta de Rainer Maria Rilke
“As cartas a um jovem poeta não são, pois, uma obra escrita e estruturada pelo seu autor com vista à edição em livro. São uma colectânea de peças irregularmente intervaladas no tempo (seis, ao longo de 1903, três, em 1904 e uma, em 1908), organizada por Franz Xaver Kappus muito depois de as ter recebiddo. […]
Procurei que nesta versão as frases mantivessem, tanto quanto possível, o seu recorte originário e se aproximassem mais da forma de uma escrita necessariamente despretenciosa, na sua intimidade epistolar e no quadro das circunstâncias pessoais que, de um lado e de outro, a provocaram.”
Vasco Graça Moura
Circunstâncias vividas
Sequência de textos radicados no acontecer do dia a dia e nalgum do seu circunstancialismo mais ou menos imediato (político, cultural e pessoal), este livro, assim feito de encontros e desencontros, empenhamentos e derivas, corresponde a um diário mantido pelo autor ao longo dos anos de 1993 e 1994, abrindo uma rubrica nova na sua bibliografia. Nele se conjugam análises e tomadas de posição directas e desassombradas, apontamentos sobre temas de literatura, múcica, pintura, teatro e cinema, e, com certa contenção que se pretende discreta, notas relativas ao trabalho do escritor, a algumas viagens e à sua vida pessoal.
Contra Bernardo Soares e outras observações
“O conjunto de textos que apresento neste colume é, propositadamente, muito heterogéneo. Alguns têm uma natureza híbrida, situando-se algures entre o ensaio e a crónica. Outros oscilam entre a crónica e o apontamento mais ou menos diarístico. Outros terão um pensor crítico mais acentuado. Outros ainda, aliás pouco, são manifestação do meu pendor regular para comentário político, embora eu não tenha incluído os textos que considero mais agressivamente polémicos e, nalguns casos, tenha cedido a uma pulsão irreprimível de divertimento.
Quanto a todos, procurei seleccionar os que pudessem apresentar um interesse projectado para lá do circunstancialismo imediato que lhes deu origem. Por isso, e tomando como precedente o título de um célebre livro de poemas de T.S. Eliot, Prufrock and Other Observations, lhes chamei, não “ensaios” ou “crónicas”, mas “observações”, termo aqui provavelmente mais neutro, mais abragente, mesmo mais livre e mais descomprometido do que aquelas designações, e puxei para o título o mais provocatório de todos os aqui apresentados, “Contra Bernardo Soares”, que é, também com toda a probabilidade, a mais sinceramente desarmada das minhas intervenções públicas e quase me ia valendo um “motim” emocional na assistência que lhe escutou a leitura no Centro Cultural de Belém.”
Vasco Graça Moura
21 poetas suecos
Antologia coordenada por Vasco Graça Moura e Ana Hatherly, com uma selecção de poetas suecos, com traduções de Almeida Faria, Ana Hatherly, Casimiro de Brito, Teresa Salema, e Vasco Graça Moura.