Elegias de Duíno. Os Sonetos a Orfeu de Rainer Maria Rilke

As duas melhores sequências poéticas de Rilke, figura transicional entre os poetas tradicionais e os poetas modernistas. A sua poesia, que procura a comunhão com o inefável, numa era de descrença, solidão e ansiedade, influenciou autores e intelectuais por todo o mundo. 

“Excelente formulação para designar aquilo que também entendo dever/poder ser a tradução do poema: uma orquestração de soluções próprias e uma rede funcional de traições, para que o resultado seja, como se costuma dizer e como convém nestes casos, um poema em português. Vasco Graça Moura consegue-o como talvez ninguém o conseguiria hoje em Portugal. Um conjunto notável que veste estes dois ciclos [tardios] de Rilke como uma segunda pele.”
João Barrento.

Har fattas det en hogvuxen lind

Esta antologia é o terceiro volume de poesia de Vasco Graça Moura traduzida para a língua sueca. Os poemas escolhidos abordam temas como memórias de infância, amor, pessoas e eventos, tais como Michelangelo e a descoberta da escultura de Laocoonte ou a conversa de Scarlatti com um compositor português. O livro contém um desenho de Michelangelo e uma foto de Gérard Castello Lopes.

Antologia de convívios

Borges e as rosas
sonhou as rosas, rosas de ninguém
de substâncias de sombras evanescentes,
e na roda das pétalas ausentes
ficou o olhar perdido, no vaivém
 
das brisas no jardim do esquecimento.
tinham carne de noite e de perfume
e tacteou-as devagar, o gume
afiou-se num macio desalento
 
de lhes ter dado o nome: rosas, rosas
factícias alastrando o seu vermelho
de golfadas de sangue ao vão do espelho
das águas e das luas ardilosas.
 
e soube que o real era essa imagem
devolvida no espelho, de passagem.

Antologia dos sessenta anos

“Tratando pois esta antologia como encenação, só acrescentarei que, para mim, o mais complicado do espectáculo é ele corresponder a sessenta anos de idade e a quase quarenta de publicar poesia em livro…”
Vasco Graça Moura

Antologia poética

“Nesta antologia procurei reunir, em cento e poucos poemas, o que em Nemésio é mais significativo, de O Bicho Harmonioso (1939) a Sapateia Açoriana (1976). Excluí da selecção os três primeiros livros do autor, sendo certo que, quanto a La Voyelle Promise (1935), o fiz apenas por se tratar de poemas em francês que não se ajustariam por isso mesmo às características pretendidas para o presente volume. Acrescentei, a fechar, um poema avulso, que saiu em Janeiro de 1977 na revista Colóquio / Letras (n.º 35): trata-se do excepcional «Pedra de Canto», único publicado de uma série de poemas eróticos, ao que julgo saber muito grande, que não são ainda conhecidos.
Mas neste corpo antológico cruzam-se na verdade dois critérios principais: o que busca determinar aquilo que em Nemésio é mais significativo, como disse, aferido, tão objectivamente quanto possível, pelos mais importantes trabalhos críticos que ao autor foram consagrados e pelo que deles resulta, enquanto leitura, valoração e citação; o do meu próprio gosto pessoal, enquanto leitor de poedia e crítico dela (e também autor dela). Creio que o resultado é satisfatório, o que, evidentemente, não pretende ser álibi para os defeitos de que esta, como todas as antologias, também padece. Até porque, e ao contrário de muitos outros autores de certa importância, Vitorino Nemésio é, quase sempre, um poeta de grandez e qualidade fora do comum, o que complica muito o trabalho de selecção e dificulta as opções definitivas. (…)”
Vasco Graça Moura