Várias Vozes constituem um conjunto de ensaios onde a visão pessoal do fenómeno literário e o rito da análise se equilibram com raro brilhantismo.
Etiqueta Obra: Ensaio
Sobre Camões, Gândavo e Outras Personagens, hipóteses de história da cultura
“Todos os textos reunidos neste volume abordam, com excepção do último, aspectos ligados à História da Cultura Portuguesa do século XVI. Não procuram demonstrar eses alicerçadas com maior ou menor solidez, mas sim problematizar vários pontos em torno dos temas respectivos, muitos deles ainda longe de um esclarecimento satisfatório, e que têm intrigado e preocupado o autor e estimulado a sua imaginação, tanto no tocante à Arte e à Literatura daquela época como às relações, por vezes um tanto ou quanto clandestinas, que existiram entre ambas. É por esta razão que tais textos representam sobretudo uma proposta de reflexão sobre o enunciado das pistas que ele foi seguindo, mais do que um qualquer processo de aquisição de certezas. Por isso também lhes chamei, em subtítulo, “Hipóteses de História da Cultura”. Colocados sob o signo do “talvez”, outras designações poderiam caber-lhes: “ensaios”, “tentativas”, “conjecturas”, que mais não pretendem ser do que isso com toda a franqueza e com toda a fraqueza, mas também com toda a liberdade de deriva através dos problemas que tal atitude acarreta.”
Vasco Graça Moura
Retratos de Isabel e outras tentativas
Em Retratos de Isabel e outras tentativas reúne-se um conjunto de ensios sobre temas de Hisória, de Cultura e de Arte ligados aos séculos XV e XVI. O autor preocupou.se sobretudo com uma série de problematizações em que acabam por entrelaçar-se pistas da mais variada ordem, dando por vezes consistência a hipóteses configuradas como plaúsiveis, ou, noutros casos, amplificando algumas interrogações conhecidas. Álvaro Pires de Évora e o Grão Vasco; os tratados de Alcáçovas, de Tordesilhas e de Saragoça; Gil Vicente, Erasmo e alguns seus contemporâneos; Garcia de Resende e a sua Miscelânea; a importante iconografia da Imperatriz Isabel de Portugal; o enigma das tapeçarias de Viena de Áustria sobre os feitos de D. João de Castro; o retrato de corte do século XVI; Luís de Camões, a Europa e os Descobrimentos; alguns revivalismos enfim, constituem o elenco das matérias principais. Sem a veleidade de chegar a quaisquer conclusões seguras quanto às questões abordadas, nestes textos, aceita-se como intrínseca à natureza do ensaio a sua própria propensão a fluir enquanto “tentativa”, deambulante e necessariamente precária. Uma dada realidade histórica é sempre imperfeitamente circundada nestas revisitações. Mas esse é também um dos prazeres deste divagar atento através dos tópicos desenvolvidos.
Retratos de Camões
Retratos de Camões é último livro de Vasco Graça Moura. Numa edição cuidada, em capa dura, com ilustrações a cores. “O que esta pequenina edição pretende ser é tudo o que Vasco Graça Moura disse e a que ele me deu o seu acordo”, explica Manuel Fonseca, administrador da Guerra e Paz, em Nota de Editor, agora que o livro está concluído.
Vasco Graça Moura propõe-se identificar o verdadeiro retrato de Luís Vaz de Camões. «Retratos de Camões» é uma reflexão verdadeiramente fascinante sobre as imagens clássicas e contemporâneas de Camões, que estimula o leitor à sua análise e reflexão. Uma obra que inclui imagens de autores contemporâneos como Júlio Pomar, João Cutileiro, José Aurélio e José de Guimarães.
Os penhascos e a serpente e outros ensaios camonianos
“Ao carácter enciclopédico, de constituintes unificados por nobre ideal, da oba de Camões deve corresponder, admito, no comentador dela, um tipo de plurisdisciplinaridade cujas partes exigente consciência cultural norteie, aglutine e vivifique (…). Ao A. sobram aptidões e experiência para nisso se distinguir.”
Emanuel Paulo Ramos
O tratado de Tordesilhas
O despertar da pintora: uma incursão
Texto dedicado a Graça Morais.
Nemésio: o lance do verbo
Este ensaio serviu de base a uma conferência conferida pelo autor na biblioteca Rosa Peixoto, na Póvoa do Varzim, em 29 de fevereiro de 1980, integrada no programa das organizações culturais da SOPETE.
Lusitana praia
“Ainda Eduardo Lourenço dizia recentemente, a propósito de Portugal e dos desafios do milénio: “O futuro é também uma ideia de fé, mas devemos imaginá-lo num tempo que simbolicamente perdeu a fé no futuro.” Mas mesmo sem falar de fé, e uma vez que se vive num tempo em que o alargamento da União Europeia se coloca como uma questão essencial, será também necessário que o alargamento “interior” a propósito do enraizamento na Europa e da pertença de fundo à sua civilização tenha lugar em e a partir de cada uma das identidades e das culturas que formam o mosaico europeu. O que ão exclui, em termos de formação e evolução das mentalidades, que a “Europa como destino” ainda surja a muitos portugueses como uma espécie de destino “residual”. E é exactamente nessa zona da memória obscura, em que se fundem tantos factores, tantos elementos, tantas contradições, tantas verbalizações, tantas tensões entre aquilo que permanece e aquilo que vai mudando, até tantos oportunismos, por vezes inconscientes, intelectuais, culturais e políticos, que se coloca o cerne da questão da identidade.”
[Do Prefácio]
Luís de Camões: alguns desafios
Ensaio sobre a obra de Luís de Camões.