Para escrever este auto, Vasco Graça Moura inspirou-se no catálogo da exposição «Sinais de Expostos» constituída por muitos dos bilhetes de identificação obscura que acompanhavam os recém-nascidos abandonados anonimamente na roda da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, sobretudo no período que vai de fins do século XVIII a meados do século XIX. Serviam estes sinais, assim como as peças de roupa e outros objetos que acompanhavam a criança, como desculpa para, mais tarde, recuperar o exposto, ou apenas como sossego de consciência e gesto de ternura da mãe para o seu filho.
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O Misantropo de Molière
Molière, Jean-Baptiste Poquelin, dramaturgo, actor e encenador francês nascido em 1622 é considerado unanimemente um dos grandes mestres da comédia satírica. Tanto a sua vida como a sua obra foram motivo de sucessivos escândalos, críticas e proibições; ainda assim, conseguiu manter o apoio do reu Luís XIV como seu mecenas. As peças de Molière, de entre as quais algumas das mais conhecidas serão Escola de Mulheres (1662), Tartufo (1664), Dom Juan (1665), Médico à Força (1666), e as Velhacarias de Scapin (1671), adoptam as formas tradicionais da comédia e revitalizam-na num novo estilo, denunciando a hipocrisia da sociedade e dos costumes da época, sob o mote castigat ridendo moris – «rindo se criticam os costumes»
Cyrano de Bergerac de Edmond de Rostand
Edmond Rostand criou com Cyrano de Bergerac o último grande mito do teatro romântico francês que chega agora em livro a Portugal com tradução de Vasco Graça Moura.
Edmond Rostand (1868-1918) traça nesta sua célebre comédia heróica o retrato de um Cyrano de Bergerac, poeta, espadachim, apaixonado, visionário, precursor da ficção científica, mosqueteiro do rei, insolente, extravagante, arruaceiro, fidalgote gascão, «maldito» e temido pelos poderes, que enche toda a peça e todo o palco.
Fedra de Jean Racine
Fedra é das últimas tragédias escritas por Jean Racine. Escrita em alexandrinos, a história é inspirada pela mitologia grega e conta a história da paixão avassaladora que Feda, mulher de Teseu, nutre por Hipólito, seu enteado.
“Racine, nos seus versos, brilhantemente traduzidos por Vasco Graça Moura, corta-nos o folgo, pela forma como nos transmite aquela tremenda pulsão despoletada por um amor proibido e
fatal.”
Ana Tamen
Auto de Mofino Mendes
Farsa de Natal
Banksters
Libreto livremente inspirado na peça Jacob e o Anjo, de José Régio, para a ópera do mesmo nome de Nuno Corte-Real, Teatro Nacional de S. Carlos, 2011
Berenice de Jean Racine
Prólogo do tradutor:
(…)
Mais venho declarar que achei de pôr em prática
uma humildade própria a que eu chamo de pragmática,
atenta às intenções do calmo encenador
que busca dosear som, movimento, cor
e a tensão teatral que nas palavras passa,
entre emoções, paixão, azar, pompa e desgraça,
e ouvindo as sugestões que cada actor fazia
nos ensaios de mesa enquanto o texto lia
e alguns passos cortando, até que o resultado
por esta companhia é hoje apresentado:
o que nele for bom, conforme se adivinha,
mérito é dela só; do mau, a culpa é minha.
Andrómaca de Jean Racine
Êxito decisivo na carreira do dramaturgo francês Jean Racine, “Andrómaca” estreia-se em Novembro de 1667 para nunca mais abandonar os palcos da Comédie Française. Em 1969, “O Amor Louco” de Jacques Rivette cristalizaria esta tragédia na história do cinema europeu, alternando cenas de uma ruína conjugal com ensaios de “Andrómaca” por uma companhia de teatro. Depois de “Berenice” e de “Fedra”, Vasco Graça Moura dá-nos em português um novo expoente da tragédia raciniana, história de amores demenciais em que o dever político e o ideal cívico arriscam perder-se na irracionalidade amorosa.