“Escrito ao sabor de ideias e de reflexões muito intermitentes e de disponibilidades de tempo, de espírito e de… bibliografia muito irregulares, este livro foi-se construindo nos últimos meses como uma tentativa de alicerçar de modo plausível uma poética de conjecturas que é, fatalmente, a de qualquer leitura de Camões que procure compreendê-lo. Apresenta-se portanto como um longo ensaio, ou, como eu preferiria chamar-lhe, uma longa inquietação camoniana, procurando a coerência mais num quadro de plausibilidades aventadas do que no rigor demonstrativo, tentando coordenar o enunciado de algumas pistas, palpites e pressentimentos, talvem nem sempre expressados com suficiente clareza, deixando-se levar por eles, e, sobretudo, arriscando onde um trabalho de outra índola não arriscaria.”
Vasco Graça Moura
Etiqueta Obra: Ensaio
Camões 1525-1580
“Camões est engagé, avec les plus hauts représentants de son époque, dans un combat pour sa propre réalité, en même temps au-dehors et au-dedans de l’oeuvre, comme dans certaines peintures religieuses de la Renaissance, où la Divinité prenait des traits humains, les hommes prêtant leur visage à Dieu, comme Dürer, ou le tenant dans leurs bras, comme Michel-Ange. Le temps de Camões est, lui aussi, celui où il faut tenir la Réalité dans ses bras, et où il ne suffit plus de contempler le miroir de la Vérité transcendante comme auparavant. On doit, en comme, jouer sa raison contre la promesse de Vie.”
Eduardo Lourenço
Caderno de olhares
Textos de Vasco Graça Moura sobre alguns artistas plásticos: Armando Alves, José Rodrigues, Cruz Filipe, João Cutileiro, Siqueira, Emerenciano, Domingos Pinho, José de Guimarães, Noronha da Costa, Júlio Resende, António Cruz e Júlio. Com um retrato do autor por Armando Alves
Anotações Europeias
Deputado europeu, europeísta convicto, Vasco Graça Moura é também um assíduo cronista das grandes e das correntes questões da União Europeia. Nas suas palavras, «olhar o passado da Europa nos últimos 50 anos, registar devidamente a era de paz, de democracia, de desenvolvimento do Estado de Direito, de bem estar, de qualidade de vida que ela proporcionou, organizando-se, inicialmente, como espaço económico, e, a pouco e pouco, como espaço europeu alicerçado numa comunidade de valores hoje partilhados por 27 países, é um exercício salutar».
Anotações Europeias, que reúne uma parte dos textos que Vasco Graça Moura escreveu a este propósito nos últimos anos, constitui o registo de um sagaz exercício de observação, e um testemunho da sua intervenção actuante na construção do grande Projecto Europeu.
A Identidade Cultural Europeia
A história da Europa não é linear e também não o é a sua identidade possível. Entre contradições e conflitos, dúvidas e colapsos, inquietações e incertezas, realizações e descobertas, uma certa necessidade de transcendente que é sentida pelas sociedades tem evoluído em duas direcções: por um lado, um aumento do laicismo, sobretudo à medida que a ciência e a técnica vão proporcionando um mais completo conhecimento do Universo e do mundo, e portanto diminuindo o papel das explicações que remetiam muitos fenómenos considerados inexplicáveis para o foro do divino, e, por outro lado, na proporção do aumento dos individualismos e dos egoísmos colectivos ou individuais.
Amália: dos poetas populares aos poetas cultivados
O poeta Vasco Graça Moura assina Amália dos poetas populares aos poetas cultivados, cujo primeiro esboço foi apresentado em novembro passado à Academia de Ciências de Lisboa.
Adamastor, Nomen gigantis
Texto de Vasco Graça Moura sobre uma escultura popular de José de Guimarães, acompanhado por esboços e fotografias de obras de José de Guimarães
Acordo ortográfico: a perspectiva do desastre
Nesta obra reúnem-se as intervenções principais e recentes de Vasco Graça Moura críticas ao Acordo Ortográfico de 1990, um contributo na sua «tripla» qualidade de escritor, de cidadão e de político para a discussão em torno desta questão fundamental que será discutida e votada no Parlamento português a 15 de Maio de 2008 para posterior ratificação pelo Presidente da República e que grande polémica vem suscitando.
Para ajudar na consulta e na discussão do tema, é reproduzido, no final do livro, o texto do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assim como uma nota explicativa e o Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em S. Tomé em 2004.